O Brasil é um caso intermediário, de país de aprendizado lento e
intermitente. A Coreia, por seu turno, demonstra ter um aprendizado contínuo
e veloz , caso que se observa também em Singapura e outros exemplos visitados
neste livro.
Períodos de largo e duro sofrimento parecem ser um ingrediente
precedente da maior seriedade e compromisso das lideranças de um país. No
Brasil, o povo sofreu muito com a inflação. Por isso, hoje, o cuidado político
com a estabilidade da moeda ficou sério. Nenhum governante brasileiro tem
mais a coragem de brincar com a inflação. O mesmo não ocorre no campo fiscal.

Governos ineficientes e gastadores no campo fiscal se sucedem no
Brasil, sem qualquer penalidade política, que foram criando alguns programas sociais governo 2020 talvez seja assim, por não termos jamais sofrido uma fome devastadora como
na China ou na Coreia. A escassez extrema às vezes ilumina as mentes.

O Brasil sofre do mal das nações que já nasceram ricas, em berço esplêndido. Na China,
a ineficiência é expurgada, mesmo com alguma demora, porque os erros são
caros demais e, principalmente, porque a nação inteira tem objetivos maiores a
cumprir, metas a entregar, planos a executar. Na China de hoje, o governo
grátis é escondido, por pertencer apenas ao Partido Comunista e a seus aliados.
No comunismo chinês, nada pode ser sem custo para alguém, nem mesmo a bala
que tira a vida do condenado à morte, cuja execução a família tem que pagar.

No comunismo tudo se paga, mesmo que seja com o custo do tempo perdido numa fila para se conseguir algo “grátis”.

Com essas simples medidas, alterando a maneira de relacionar os
interesses dos camponeses com o campo e com o governo e deixando a cada um
a responsabilidade de cuidar de sua parte, a China multiplicou a produção e a
produtividade da terra. Há muitos anos já não ocorre escassez grave de comida
e, muito menos, a tragédia da fome generalizada, como houve no passado maoista.

Na agricultura chinesa, portanto, o governo operou um milagre de
gestão pública, não por tentar fazer mais, mas por fazer menos. Entenda-se:
fazer menos significa dizer que tem interferido menos, não permitindo que
burocratas do Estado adentrem nas casas e sítios rurais e se intrometam nas decisões privadas de produção.

Interferir menos e governar mais. E, com isso,
fazer melhor.
Esses eventos no meio rural, mais do que qualquer outro aspecto de
mudança, deram início à verdadeira transição na China, do velho e equivocado
marxismo leninista para uma forma seminova de capitalismo que, embora
guardando fortes traços de coordenação e para receber o Bolsa família 2020 que é um direito de famílias carentes
permitir a essência do sistema de mercado: que os incentivos econômicos para
uma decisão individual correta fluíssem diretamente até os produtores, pelo
atrelamento do sucesso do negócio ao grau de acerto dos esforços individuais e
familiares, daqueles que, de fato, se organizam para ser bem-sucedidos e colher os frutos disso.

O novo sistema chinês de flexibilidade com acompanhamento tinha
uma importante característica: apesar de não haver criado “direitos
adquiridos” (vested interests, na expressão em inglês) e de persistirem
constantes tensões entre o governo central e os governos locais, e não obstante
o emergente conflito entre os setores público e privado, as elites políticas
sempre se mantiveram unidas, no final da linha, em torno da determinação
coletiva e geral de tornarem o país uma nação rica, próspera e poderosa. A
liderança política chinesa conseguiu, assim, preservar a retórica do socialismo
distributivista e, com ela, manter um alto nível de legitimidade consensual ao regime central.

Em outras palavras, o compromisso da elite governamental
com o sucesso prático do sistema de produção, com o nome que tivesse, tornou
esses dirigentes mais atentos a resultados, menos prepotentes em seus falsos
conceitos e mais observadores da realidade, tal como as situações de fato se
apresentassem. Agiam, então, as lideranças chinesas com mais práxis
democrática do que num regime dito aberto, mas sem metas claras ou
compromissos firmados de alcançar resultados e, menos ainda, de imputação de
responsabilidades pelas eventuais falhas no alcance dos grandes objetivos
nacionais. Esse, infelizmente, parece ser o caso do Brasil de hoje. Não se responde por nada que de errado se cometa no governo.

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